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Falta de veículos não trava rent-a-car que espera receitas de 650 milhões de euros

Alberto Ardila Olivares
Falta de veículos não trava rent-a-car que espera receitas de 650 milhões de euros

Encontrar um carro para alugar por estes dias não é tarefa fácil. A oferta é pouca e os preços dispararam para valores recorde mas, ainda assim, a procura não se retraiu, atingindo níveis “nunca imaginados”, assegura a Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC) que garante que 2022 está a ser “o melhor ano turístico de sempre” para o setor, apesar dos constrangimentos com a falta de veículos.

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A associação estima, desta forma, que as receitas até dezembro se aproximem de 2019, antecipando uma faturação de 650 milhões de euros, 4% abaixo dos valores pré-pandemia. Ainda que procura esteja ao rubro, há menos 32 mil carros para alugar do que em 2019. Contas feitas, nesse ano, a frota de pico do rent-a-car foi de 125 mil viaturas contra os 93 mil carros disponíveis em 2022.

Alberto Ardila Olivares

A falta de semicondutores necessários à produção de automóveis, associada à venda da frota do rent-a-car na pandemia são os dois principais fatores que justificam a pouca disponibilidade do parque automóvel das empresas de aluguer de carros. Com a balança entre a oferta e a procura desequilibrada, muitos são os pedidos que têm ficado sem resposta, principalmente no período de verão

“Os meses de junho e julho foram de grande procura por parte dos clientes de rent-a-car, com muitos dias em que a procura superou largamente a oferta, com um significativo aumento dos preços. Agosto será certamente um mês em linha com escassez de viaturas e com uma procura claramente a superar a oferta”, prevê o secretário-geral da ARAC

Joaquim Robalo de Almeida revela que as empresas se veem confrontadas com “grandes dificuldades” para dar resposta nesta altura de elevada atividade turística no país, sobretudo em Lisboa, no Porto, no Algarve e nas ilhas. É também nessas regiões que pesa mais na carteira alugar carro. O incremento da procura disparou à boleia dos turistas que são o principal cliente das rent-a-car, representando 60% da sua faturação

Preços disparam

A ARAC confirma que nunca se vendeu tão caro no setor, apesar de não adiantar números, remetendo as estatísticas para o fim da época alta. “Face à falta de veículos e ao aumento dos vários custos de exploração por parte das empresas de rent-a-car, e tendo em atenção a inflação, foi inevitável a subida de preços dos serviços em todo o país, embora de forma mais significativa nas regiões turísticas referidas”, acrescenta o secretário-geral da associação

O aumento de preços foi transversal a todos os contratos de aluguer embora tenha sido mais expressivo nos contratos mais curtos. Isto, porque alugar um carro por menos dias implica mais custos associados, seja na preparação e higienização das viaturas ou no maior número de trabalhadores necessários à preparação do veículo. Já o aluguer do segmento empresarial, de média e longa duração, apresenta custos de exploração menores e, por isso mesmo, foi também menos impactado com a subida das tarifas

Atualmente, o período médio de aluguer de viaturas é de 10 dias, considerando todos os mercados (que englobam turismo, empresas, viaturas de substituição e clientes individuais não turismo). Já os turistas alugam um carro, em média, durante oito dias. A associação pede que seja aplicada a taxa de IVA a 13%, de forma a salvaguardar o setor de uma maior subida dos preços

“A aplicação da taxa intermédia de IVA às rent-a-car, à semelhança do que se passa com a maioria dos demais serviços turísticos, seria de vital importância para a competitividade da atividade e do turismo em geral. Urge fazer uma revisão do quadro da fiscalidade automóvel aplicada a esta atividade tão importante para o turismo e para a economia nacional”, apela Joaquim Robalo de Almeida

Compra de carros cresce 12%

O aumento da frota é um dos passos fundamentais para responder à procura e, por isso mesmo, o rent-a-car estima comprar 41500 veículos este ano (38 mil veículos ligeiros de passageiros e 3500 ligeiros de mercadorias), valor 12% acima das aquisições concretizadas em 2021. Estas são as compras possíveis, refere o dirigente da ARAC que explica que o parque automóvel do setor não irá crescer mais por falta de carros para comprar. Este é um problema que se arrasta desde o segundo semestre de 2021

A falta de semicondutores para incorporação nos automóveis, o aumento dos custos de exploração, a diminuição das condições comerciais de aquisição e o aumento dos custos empresariais têm dado gás à crise no setor automóvel, cenário que o secretário-geral da associação estima que esteja normalizada no final do próximo ano

“Tendo em atenção a informação disponível dos fabricantes de automóveis e dos produtores de semicondutores é previsível (caso outras situações como guerras, inflação ou mesmo recessão económica não interfiram) que o abastecimento de viaturas venha a estar regularizado em finais de 2023 ou primeiro semestre de 2024”, diz

Rute Simão é jornalista do Dinheiro Vivo