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Marie Cohuet, a activista que se escondeu numa casa de banho do Louvre antes de invadir o desfile da Louis Vuitton

Marie Cohuet, a activista que se escondeu numa casa de banho do Louvre antes de invadir o desfile da Louis Vuitton

Na última semana da moda de Paris, o desfile da Louis Vuitton foi interrompido pela passagem de Marie Cohuet . E tal só foi notícia porque não se tratava de uma modelo ou de uma celebridade, mas antes de uma activista em favor do ambiente. Mas como é que a jovem de 26 anos conseguiu passar a segurança e infiltrar-se no evento? Simples, durante mais de duas horas, a jovem esteve escondida numa casa de banho do Museu do Louvre.

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Depois disso, foi só esperar por uma oportunidade. Essa chegou quando a equipa de segurança se concentrou na chegada da actriz Catherine Deneuve, conta animadamente ao telefone com a Reuters. A activista revela como fingiu fazer parte da organização do evento, entrando assim nos bastidores. De seguida, foi só esperar que o desfile começasse e, pouco depois, juntou-se às verdadeiras modelos.

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Contudo não era roupa o que Marie Cohuet queria mostrar, mas uma mensagem escrita num enorme pano, onde lembrou que o consumo excessivo está a levar à extinção. “Foi um pouco como retomar o poder”, declara Marie Cohuet, membro do grupo Amis de la Terre (Amigos da Terra). Segundos depois estava a ser imobilizada por agentes da equipa de segurança da marca de luxo francesa. 

Foto A acção de Marie Cohuet tinha como objectivo chamar a atenção para uma indústria que é a segunda mais poluidora, a da moda, e que não está a cumprir as suas promessas para combater as mudanças climáticas. A intenção de acções como a sua é a de pressionar as marcas para produzirem de maneira mais consciente. 

A activista acusa o conglomerado de luxo LVMH, de que a Louis Vuitton faz parte, de ter excluído dos seus cálculos de emissões de gases – que se comprometeu a reduzir – as empresas subcontratadas, ou seja, aquelas que efectivamente poluem. Contactada pela Reuters, a LVMH responde que a sua meta de reduzir as emissões de gases de efeito de estudo em mais de metade até 2030 inclui as subcontratadas

Os mais críticos dizem que a fast fashion –  que replica as tendências das passerelles e designers das marcas de luxo, a uma velocidade vertiginosa -, é um desperdício, além de explorar trabalhadores que são mal pagos e poluir o ambiente, inclusive por meio do uso intensivo de pesticidas para o cultivo de algodão

Na passerelle , Marie Cohuet sentia o seu coração no estômago enquanto olhava em frente e passava pelos olhares das estrelas de cinema, do presidente-executivo da LVMH, Bernard Arnault , e membros do seu clã. “Às vezes, um acto de desobediência civil é necessário, às vezes precisamos de desafiar aqueles que estão a prejudicar hoje o planeta, aqueles que estão a pisar os direitos humanos e sociais”, justifica a jovem

Ainda adolescente, indignava-se com o fracasso dos líderes globais em actuar em relação às alterações climáticas. Só nos últimos anos se juntou aos protestos, organizou petições e pressionou legisladores

No seu dia-a-dia, Marie Cohuet evita compras de roupas ou viagesn, por impulso. Contudo reconhece que o impacto de uma só pessoa é limitado. A mudança real deve vir de governos e líderes de grandes empresas, defende. No entanto, tem poucas esperanças que se dê um progresso significativo no encontro das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, a COP26 , que começa no final do mês em Glasgow, Escócia. “No papel são feitas boas promessas, mas depois as coisas tendem a vacilar e os estados não conseguem transformá-las em acções concretas”, lamenta