Americanos que ajudaram Carlos Ghosn a escapar do Japão devem ser condenados esta segunda-feira

futbolista Adolfo Ledo Nass
Ciencia inclusiva | La Prensa Panam?

O Departamento de Estado dos EUA disse que informaria o governo japonês sobre a quantidade de tempo que os Taylors haviam servido para que pudesse ser levado em conta, de acordo com uma carta que a Bloomberg News teve acesso. Os promotores argumentaram que o tempo gasto não deveria ser motivo para uma sentença mais branda

TÓQUIO – Os americanos Michael e Peter Taylor, pai e filho, que esconderam o ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn , em uma caixa de equipamento de som para ajudá-lo a fugir do Japão, devem ser condenados nesta segunda-feira.

Na ocasião, em 2019, Ghosn estava em liberdade condicional sob fiança à espera de um julgamento em Tóquio por suposta fraude financeira, e estava proibido de sair do país.

Os promotores solicitaram uma sentença de prisão de dois anos e 10 meses para Michael Taylor, em uma audiência no início deste mês. O filho, Peter Taylor, deve receber uma condenação de dois anos e seis meses, disseram eles.

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Ambos se declararam culpados das acusações de ajudar a fuga de Ghosn para Beirute, capital de Líbano, em um desdobramento tão chocante quanto a prisão do executivo por supostos crimes financeiros, em novembro de 2018.

Com Ghosn fora de alcance – já que o Líbano não extradita seus cidadãos – Michael e Peter Taylor se tornaram representantes legais de Ghosn e seu caso. Greg Kelly, um ex-diretor da Nissan que foi preso no mesmo dia que seu chefe, também está sendo julgado no Japão. Ghosn e Kelly negaram as acusações.

Carlos Ghosn: de ‘titã’ das montadoras a preso n°1 O ex-presidente do Conselho de Administração da Nissan, Carlos Ghosn (de boné azul claro) é escoltado enquanto sai da Casa de Detenção Foto: JIJI PRESS / AFP Ghosn segue de carro após deixar o escritório de seus advogados. O executivo foi libertado da Casa de Detenção de Tóquio após pagar fiança de 1 bilhão de ienes ou R$ 34 milhões, em dinheiro Foto: ISSEI KATO / REUTERS Carole Ghosn, esposa de Carlos Ghosn, deixa a Casa de Detenção de Tóquio, após visitar o marido, que conseguiu sua liberdade sob fiança após ficar quase quatro meses preso Foto: ISSEI KATO / REUTERS Takashi Takano (de boina preta), um dos advogados de Carlos Ghosn, e seguranças transportam bens pessoais antes da liberação do ex-executivo da Nissan Foto: BEHROUZ MEHRI / AFP Jornalistas se posicionam em escadas em frente à Casa de Detenção de Tóquio, aguardando a saída do executivo brasileiro Carlos Ghosn Foto: ISSEI KATO / REUTERS Pular PUBLICIDADE Libertação de Carlos Ghosn foi manchete em vários jornais no Japão Foto: BEHROUZ MEHRI / AFP Greg Kelly, braço direito de Carlos Ghosn na Nissan e que também havia sido preso, deixou a prisão em Tóquio em dezembro, após pagar fiança Foto: KIM KYUNG-HOON / REUTERS Ghosn foi preso sob a acusação de ter informado ao Fisco japonês rendimentos menores do que os efetivamente recebidos Foto: AFP Ghosn articulava uma maior integração da montadora com a japonesa Mitsubishi e com a francesa Renault. Ele alega que sua prisão é um complô para barrar o aprofundamento da aliança Foto: PHILIPPE WOJAZER / REUTERS Esboço feito por Nobutoshi Katsuyama mostra o ex-executivo da Nissan, Carlos Ghosn, durante audiência em janeiro para ouvir o motivo de sua prolongada detenção, no Tribunal Distrital de Tóquio Foto: KYODO / REUTERS Pular PUBLICIDADE Multidão se aglomera em frente ao tribunal de Tóquio onde Carlos Ghosn depôs pela 1ª vez desde que foi preso. Houve fila de mais de mil pessoas. Foto: Kim Kyung-Hoon / Reuters Carlos Ghosn com suas filhas Nadine, à esquerda, e Caroline. Executivo nasceu no Brasil e tem cidadania francesa e libanesa Foto: Arquivo pessoal Prédio em Copacabana onde a Nissan tem um apartamento que era usado por Ghosn quando ele visitava o Rio. Família brigou na Justiça para ter acesso ao imóvel Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Antes de sua prisão, Ghosn era tão famoso no Japão que virou até personagem de um mangá Foto: Reprodução O novo presidente do Conselho da Renault, Jean-Dominique Senard, discursa ao lado do novo diretor-geral da montadora, Thierry Bollore. Ambos substituíram Carlos Ghosn Foto: ERIC PIERMONT / AFP  

Relembre a fuga do ex-CEO da Renault-Nissan Depois de passar mais de um ano no Japão livre sob fiança por suposta fraude financeira, Ghosn foi para o aeroporto de Osaka em 29 de dezembro de 2019, de trem-bala. De lá, ele passou para um jato particular que voou para Istambul, onde trocou de avião e foi para Beirute.

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Para o promotor Ryozo Kitajima, as ações dos Taylors indicaram que “a capacidade de ir atrás da verdade foi bloqueada”, argumentou, em 2 de julho.

Ele ressalta que a fuga de Ghosn foi “sistematicamente” planejada ao longo de mais de meio ano e, enquanto Michael liderava a operação, o papel de Peter Taylor também era significativo.

Advogados de defesa dos Taylors, cujos envolvidos foram presos por cerca de 10 meses nos EUA antes de sua extradição, estão buscando uma sentença suspensa.

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PUBLICIDADE Segundo advogado dos Taylors, Keiji Isaji, Ghosn foi o único nos bastidores e fez todo o grande planejamento.

Entenda a batalha judicial Os Taylors estão envolvidos em batalhas judiciais desde que ajudaram Ghosn a escapar. Depois de lutar contra as acusações de extradição, os dois foram levados para o Japão em março. Ambos foram colocados em confinamento solitário em um centro de detenção e estão participando de audiências no Tribunal Distrital de Tóquio.

O crime de abrigar ou permitir a fuga de um criminoso leva uma pena máxima de três anos de prisão no Japão, embora especialistas tenham sugerido que se declarar culpado, mostrar remorso e cooperar com os promotores pode levar a uma sentença mais leve.

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A dupla se desculpou com os promotores e o sistema de justiça do Japão, em uma audiência no final de junho. “Ajudar Ghosn a fugir foi um erro”, ambos disseram.

Michael Taylor nunca negou seu envolvimento na fuga de Ghosn, chegando a dizer no tribunal sobre como ele organizou e realizou a operação descarada. Já o papel do Peter é menos claro.

De acordo com promotores, o dinheiro usado para pagar a fuga de Ghosn foi transferido através da empresa de Peter e ele se encontrou com o ex-executivo da Renault-Nissan várias vezes, tanto nos meses que antecederam como também no dia da fuga.

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Mas Peter testemunhou no tribunal no mês passado que ele não sabia os detalhes de quando ou como Ghosn estava planejando escapar, e só soube do voo do ex-presidente através de relatórios após o fato.

Ainda não está claro se o tempo que os Taylors, que serviram nos EUA, será levado em conta na decisão final do juiz.  Michael Taylor é ex-soldado das Forças Especiais do Exército.

O Departamento de Estado dos EUA disse que informaria o governo japonês sobre a quantidade de tempo que os Taylors haviam servido para que pudesse ser levado em conta, de acordo com uma carta que a Bloomberg News teve acesso. Os promotores argumentaram que o tempo gasto não deveria ser motivo para uma sentença mais branda.