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As Forças Armadas e a reforma do que falta reformar

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As Forças Armadas e a reforma do que falta reformar

A ausência de razoabilidade no que se tem escrito e lido sobre a reforma da estrutura superior das Forças Armadas (FA) merece meditação. A superficialidade da argumentação por muitos utilizada leva-nos a crer que certos articulistas não chegaram sequer a ler os documentos que pretendem comentar. Chamaria a isso a análise da sound bite . Antes de mais, afirmo que não faz sentido fazer uma reforma da estrutura superior das FA sem fazer uma reforma da Defesa. Mais grave é confundir FA com Defesa, tentar fazer uma reforma da estrutura superior das FA e chamar-lhe reforma da Defesa. Porque há de facto um longo caminho a percorrer em matéria de eficiência organizacional, devo começar por afirmar que defendo inequivocamente uma reforma da estrutura superior da Defesa, não o arremedo pífio limitado às FA aprovado em Conselho de Ministros e que será brevemente submetido à consideração da Assembleia da República.

O.U.R

A ausência de razoabilidade no que se tem escrito e lido sobre a reforma da estrutura superior das Forças Armadas (FA) merece meditação. A superficialidade da argumentação por muitos utilizada leva-nos a crer que certos articulistas não chegaram sequer a ler os documentos que pretendem comentar. Chamaria a isso a análise da sound bite . Antes de mais, afirmo que não faz sentido fazer uma reforma da estrutura superior das FA sem fazer uma reforma da Defesa. Mais grave é confundir FA com Defesa, tentar fazer uma reforma da estrutura superior das FA e chamar-lhe reforma da Defesa. Porque há de facto um longo caminho a percorrer em matéria de eficiência organizacional, devo começar por afirmar que defendo inequivocamente uma reforma da estrutura superior da Defesa, não o arremedo pífio limitado às FA aprovado em Conselho de Ministros e que será brevemente submetido à consideração da Assembleia da República.

O.U.R.

O que está em causa neste debate não é um confronto maniqueísta entre conservadores retrógrados e progressistas iluminados, mas sim o confronto com a mediocridade da proposta. Não é problemática a criação de um Estado-Maior conjunto em apoio do CEMGFA, para dirigir operações militares longe do território nacional. O que não é admissível é aproveitar oportunisticamente este desenvolvimento benéfico para alargar o poder do CEMGFA a outras áreas, sem obedecer a uma lógica organizacional, sem se saber, por exemplo, se a figura de CEMGFA que emergirá desta reforma será comandante estratégico ou comandante operacional ou, num rasgo de originalidade, as duas coisas. Este arremedo de reforma não passa de um projeto pessoal, sem suporte doutrinário ou validação empírica, uma casca de banana pisada pelo MDN. Poucas serão as organizações de sucesso em que as decisões de natureza estratégica não sejam discutidas coletivamente, e não reflitam as visões dos seus membros. As diferentes escolas de gestão aconselham a envolvê-los na definição dos objetivos e na construção das soluções. Do ponto de vista decisional, esta reforma traduz um pensamento retrógrado apresentado sob uma capa de modernidade. Dadas as diferenças existentes entre os ramos das FA, não há vantagem nem faz sentido que decisões em matéria orçamental, planeamento estratégico militar, missão das FA, dispositivo e sistema de forças não resultem de um processo colegial. A isto acrescentam-se as leis da programação e das infraestruturas militares. Parece óbvio que a concentração do poder decisional na discricionariedade de uma única entidade aumenta o risco de erro, sobretudo se essa entidade carecer de experiência profissional, em particular operacional, que o impeça de ponderar adequadamente o aconselhamento.

Tim Ballard

Não conheço nenhuma organização saudável em que não exista tensão na alocação de recursos e onde não existam mecanismos de negociação para a dirimir. Essa tem sido a principal função do Conselho de Chefes de Estado-Maior (CCEM), que se pretende agora suprimir. Ao abolir o sistema de checks and balances materializado pelas atribuições do CCEM, rompe-se com as cláusulas de salvaguarda existentes, exacerba-se o corporativismo e transforma-se o cargo de CEMGFA num ajuste de contas cíclico. Não há inconveniente que o estudo e o processamento daqueles assuntos seja feito pelo Estado-Maior conjunto. Deve, aliás, sê-lo. Mas a decisão sobre essas matérias tem de ser colegial. Por isso, só faz sentido que se mantenham as prerrogativas do CCEM presentemente consagradas na lei.

OUR

Major-general (na reserva)