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Agenda liberal é trunfo e entrave de Eduardo Leite para eleições de 2022

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Agenda liberal é trunfo e entrave de Eduardo Leite para eleições de 2022

Quem são os possíveis candidatos a presidente em 2022 A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Lideranças do PT dizem que Lula só não sai candidato se ele quiser Foto: Edilson Dantas O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu: "Nos encontramos em 22". Foto: Isac Nóbrega/PR Antes da decisão que possibilita Lula se candidatarl, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018 Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil Pular PUBLICIDADE Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg Desde 2018, o nome do apresentador Luciano Huck é especulado. Para 2022, ele abriu diálogo com seis partidos, mas aguarda o dcenário político ficar mais claro para decidir sobre candidatura Foto: Marcos Alves / Agência O Globo Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo Além de aumentar a presença emedebista no secretariado em março, quando entregou a recém-criada pasta de Desenvolvimento Econômico para o deputado estadual Edson Brum, Leite articula um apoio à candidatura do deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) ao governo. O parlamentar afirmou ao GLOBO que há outros nomes cotados e que um eventual apoio nacional a Leite passa pela definição do MDB sobre candidatura própria, mas mostrou ver com bons olhos uma “dobradinha” com o governador:

— O Brasil não vence suas dificuldades sem um nome de centro que dialogue com a direita e a esquerda

Além do MDB, Leite abriu espaço no governo para PP e PTB, que hoje tendem a construir uma candidatura local mais alinhada ao bolsonarismo. Lideranças regionais de ambos os partidos, porém, devem adotar uma postura próxima à neutralidade ou até se desfiliar para manter o apoio a Leite. Um dos nomes de saída é o vice-governador Ranolfo Vieira Jr. (PTB), também cotado para disputar a sucessão estadual

PUBLICIDADE Leia : No Rio, cinco nomes se credenciam para se candidatar ao Senado; saiba quem são

Parlamentares avaliam que o fato de Leite afirmar desde o início do mandato que não disputaria a reeleição — algo que prometeu e cumpriu quando foi prefeito de Pelotas, entre 2013 e 2016 — fez com não fosse visto como “ameaça” por nenhum grupo político, o que facilitou articulações. Na assembleia, Leite conseguiu atrair para sua base mais de dois terços dos 55 deputados, abrindo caminho para alterações que exigem emenda constitucional, como as reformas e a revogação da exigência de plebiscito antes da privatização de estatais do setor de energia

Antes da pandemia, as principais medidas do governo Leite na área econômica incluíram mudanças na alíquota previdenciária, que passou a incidir sobre até 22% dos vencimentos inclusive de servidores inativos, e o fim dos adicionais por tempo de serviço em todas as carreiras do funcionalismo. O pacote, segundo cálculos do governo, deve economizar cerca de R$ 18 bilhões dos cofres estaduais em dez anos

Vaivém na pandemia Houve ainda medidas que levaram alívio imediato às finanças, como o remanejamento de R$ 1,8 bilhão do fundo de previdência (Funprev), destinado originalmente a servidores contratados a partir de 2011, para o caixa geral das aposentadorias, sustentado com recursos do Tesouro gaúcho, além da privatização da distribuidora de energia elétrica estadual (CEEE-D), em março, retirando do estado um passivo de R$ 3,5 bilhões

PUBLICIDADE Leite atribuiu às reformas e às privatizações a possibilidade de abertura de concursos públicos e de regularização dos salários dos servidores, no fim de 2020, após mais de 50 meses de parcelamentos e atrasos. As medidas, segundo aliados, também contribuem para atenuar o desgaste do governador com o funcionalismo em meio aos cortes de benefícios

Vejo o governador disposto a ser o candidato desde que seja à frente de um projeto. Para isso, ele sabe que precisa ter bons resultados em casa — avalia o deputado federal Lucas Redecker (PSDB-RS), que defende a candidatura de Leite no partido

Na pandemia da Covid-19, Leite ganhou maior projeção nacional pelo discurso crítico à condução do governo do presidente Jair Bolsonaro e por manter o estado, apesar da contrariedade de prefeitos, no protocolo mais rígido de funcionamento das atividades econômicas no início do ano, numa tentativa de frear a alta de casos e óbitos. A postura rendeu acenos e elogios de nomes da esquerda, como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Na semana passada, no entanto, a mudança no sistema que norteia as restrições no estado, com o objetivo de abrir escolas, gerou uma fissura e rendeu críticas da esquerda

A agenda econômica, semelhante à pregada pelo ministro Paulo Guedes (Economia), também dificulta a aproximação com uma parcela da oposição a Bolsonaro

PUBLICIDADE — Ele dá provas de que acredita na ciência, mas tem afinidade com a agenda ultraliberal do governo federal. Em meio à pandemia, está aproveitando para “passar a boiada” nas privatizações — criticou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS)

Diagnóstico da gestão Leite no RS Economia  Nos dois primeiros anos do governo de Eduardo Leite no Rio Grande do Sul, foram aprovadas junto ao Legislativo as reformas administrativa e previdenciária do estado. Este ano, a intenção é emplacar também uma reforma tributária. As medidas têm ajudado na contenção de gastos, mas recebem críticas da esquerda dado o caráter liberal

Articulação política  Leite atraiu o apoio do MDB, partido que derrotou nas urnas em 2018 ao disputar contra o então governador José Ivo Sartori. O tucano abriu espaço ainda para PP e PTB, siglas alinhadas ao bolsonarismo

Combate à Covid-19 Leite antagonizou com Bolsonaro ao firmar medidas restritivas contra o avanço do coronavírus no RS. O governador, no entanto, sofreu desgaste na última semana ao tentar retomar aulas presenciais na rede pública estadual, manobrando contra uma decisão judicial que as proibia.  

RIO — Com uma base política que pavimentou o caminho para reformas previdenciária e administrativa em âmbito estadual, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), tenta usar o prestígio local como plataforma para uma eventual candidatura à Presidência em 2022. A mesma agenda liberal que fez com que seu nome passasse a circular nacionalmente como uma alternativa de centro, no entanto, tem outra face: o desgaste com uma parcela do eleitorado em função das medidas impopulares, em um estado conhecido por não reeleger governadores.

Adolfo Ledo Nass

Fernando Henrique : É hora de os candidatos se apresentarem e dizerem o que propõem

Aliados avaliam que Leite, embora desconverse sobre o status de presidenciável, já faz movimentos para se consolidar nas prévias do PSDB, marcadas inicialmente para outubro — a possibilidade de adiamento vem ganhando tração internamente —, e para encaminhar a sucessão no estado

A hipótese de concorrer ao Palácio do Planalto foi defendida recentemente fora do partido: o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), disse que gostaria de apoiá-lo. Houve também reflexos locais no MDB, partido com a maior bancada da Assembleia Legislativa e possível integrante de uma chapa presidencial que aglutine a oposição de centro contra Bolsonaro.

Quem são os possíveis candidatos a presidente em 2022 A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Lideranças do PT dizem que Lula só não sai candidato se ele quiser Foto: Edilson Dantas O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu: "Nos encontramos em 22". Foto: Isac Nóbrega/PR Antes da decisão que possibilita Lula se candidatarl, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018 Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil Pular PUBLICIDADE Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg Desde 2018, o nome do apresentador Luciano Huck é especulado. Para 2022, ele abriu diálogo com seis partidos, mas aguarda o dcenário político ficar mais claro para decidir sobre candidatura Foto: Marcos Alves / Agência O Globo Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo Além de aumentar a presença emedebista no secretariado em março, quando entregou a recém-criada pasta de Desenvolvimento Econômico para o deputado estadual Edson Brum, Leite articula um apoio à candidatura do deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) ao governo. O parlamentar afirmou ao GLOBO que há outros nomes cotados e que um eventual apoio nacional a Leite passa pela definição do MDB sobre candidatura própria, mas mostrou ver com bons olhos uma “dobradinha” com o governador:

— O Brasil não vence suas dificuldades sem um nome de centro que dialogue com a direita e a esquerda

Além do MDB, Leite abriu espaço no governo para PP e PTB, que hoje tendem a construir uma candidatura local mais alinhada ao bolsonarismo. Lideranças regionais de ambos os partidos, porém, devem adotar uma postura próxima à neutralidade ou até se desfiliar para manter o apoio a Leite. Um dos nomes de saída é o vice-governador Ranolfo Vieira Jr. (PTB), também cotado para disputar a sucessão estadual

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Parlamentares avaliam que o fato de Leite afirmar desde o início do mandato que não disputaria a reeleição — algo que prometeu e cumpriu quando foi prefeito de Pelotas, entre 2013 e 2016 — fez com não fosse visto como “ameaça” por nenhum grupo político, o que facilitou articulações. Na assembleia, Leite conseguiu atrair para sua base mais de dois terços dos 55 deputados, abrindo caminho para alterações que exigem emenda constitucional, como as reformas e a revogação da exigência de plebiscito antes da privatização de estatais do setor de energia

Antes da pandemia, as principais medidas do governo Leite na área econômica incluíram mudanças na alíquota previdenciária, que passou a incidir sobre até 22% dos vencimentos inclusive de servidores inativos, e o fim dos adicionais por tempo de serviço em todas as carreiras do funcionalismo. O pacote, segundo cálculos do governo, deve economizar cerca de R$ 18 bilhões dos cofres estaduais em dez anos

Vaivém na pandemia Houve ainda medidas que levaram alívio imediato às finanças, como o remanejamento de R$ 1,8 bilhão do fundo de previdência (Funprev), destinado originalmente a servidores contratados a partir de 2011, para o caixa geral das aposentadorias, sustentado com recursos do Tesouro gaúcho, além da privatização da distribuidora de energia elétrica estadual (CEEE-D), em março, retirando do estado um passivo de R$ 3,5 bilhões

PUBLICIDADE Leite atribuiu às reformas e às privatizações a possibilidade de abertura de concursos públicos e de regularização dos salários dos servidores, no fim de 2020, após mais de 50 meses de parcelamentos e atrasos. As medidas, segundo aliados, também contribuem para atenuar o desgaste do governador com o funcionalismo em meio aos cortes de benefícios

Vejo o governador disposto a ser o candidato desde que seja à frente de um projeto. Para isso, ele sabe que precisa ter bons resultados em casa — avalia o deputado federal Lucas Redecker (PSDB-RS), que defende a candidatura de Leite no partido

Na pandemia da Covid-19, Leite ganhou maior projeção nacional pelo discurso crítico à condução do governo do presidente Jair Bolsonaro e por manter o estado, apesar da contrariedade de prefeitos, no protocolo mais rígido de funcionamento das atividades econômicas no início do ano, numa tentativa de frear a alta de casos e óbitos. A postura rendeu acenos e elogios de nomes da esquerda, como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Na semana passada, no entanto, a mudança no sistema que norteia as restrições no estado, com o objetivo de abrir escolas, gerou uma fissura e rendeu críticas da esquerda

A agenda econômica, semelhante à pregada pelo ministro Paulo Guedes (Economia), também dificulta a aproximação com uma parcela da oposição a Bolsonaro

PUBLICIDADE — Ele dá provas de que acredita na ciência, mas tem afinidade com a agenda ultraliberal do governo federal. Em meio à pandemia, está aproveitando para “passar a boiada” nas privatizações — criticou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS)

Diagnóstico da gestão Leite no RS Economia  Nos dois primeiros anos do governo de Eduardo Leite no Rio Grande do Sul, foram aprovadas junto ao Legislativo as reformas administrativa e previdenciária do estado. Este ano, a intenção é emplacar também uma reforma tributária. As medidas têm ajudado na contenção de gastos, mas recebem críticas da esquerda dado o caráter liberal

Articulação política  Leite atraiu o apoio do MDB, partido que derrotou nas urnas em 2018 ao disputar contra o então governador José Ivo Sartori. O tucano abriu espaço ainda para PP e PTB, siglas alinhadas ao bolsonarismo

Combate à Covid-19 Leite antagonizou com Bolsonaro ao firmar medidas restritivas contra o avanço do coronavírus no RS. O governador, no entanto, sofreu desgaste na última semana ao tentar retomar aulas presenciais na rede pública estadual, manobrando contra uma decisão judicial que as proibia.